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CD revela o coerente início roqueiro de Ramalho

blogdomauroferreira.blogspot.com/  - 24/06/2008
Mauro Ferreira

"Eu sou todos nós", sentencia Zé Ramalho em um verso de Falido Transatlântico, canção que integra o álbum duplo Zé Ramalho da Paraíba, título inaugural do selo Discobertas, aberto pelo produtor e pesquisador musical Marcelo Fróes para editar relíquias do baú da MPB. O álbum duplo dedicado a Ramalho eterniza 23 números de cinco shows feitos pelo artista - entre 1973 e 1977 - na Paraíba e no Rio de Janeiro. Falido Transatlântico é número extraído do show Um Dia Antes da Vida, apresentado por Ramalho em 1976. Seu verso Eu Sou Todos Nós seria reaproveitado pelo cantor no título do álbum que lançou em 1998, exemplificando a firme coerência que pauta a discografia do compositor. O disco atual revela o início da viagem.

Por perpetuar gravações caseiras extraídas de fitas cassetes do acervo pessoal do artista, Zé Ramalho da Paraíba peca pelo caráter oscilante do áudio. A qualidade é especialmente precária nos oito números captados no show mais antigo, Atlântida, de 1973. É quando Ramalho aparece mais imerso no rock (como comprovam os arranjos de músicas como Brejo do Cruz, Puxa Puxa e da versão original de Táxi Lunar) e no blues (Jacarepaguá Blues) sem enterrar de todo sua raiz nordestina, que salta em músicas como Autor da Natureza. Atlântida ilustra a fase hippie de Ramalho. No show seguinte, Um Dia Antes da Vida, já são mais perceptíveis em números como A Árvore e O Astronauta (de apropriado clima viajante...) o misticismo filosófico-apocalíptico que iria nortear sua obra e o transformaria num Profeta do Sertão.

As maiores raridades estão no disco 1. Já o CD 2 documenta registros seminais de músicas como Avôhai e A Dança das Borboletas, captadas no show de voz-e-violão Coletiva de Música Paraibana, feito por Ramalho em 1976, um ano antes de sua contratação pela gravadora CBS (atual Sony Music). Enfim, com Zé Ramalho da Paraíba, título indicado para colecionadores, o selo Discobertas chega ao mercado fonográfico cumprindo bem sua função de documentar gravações inéditas ou raras. Que venham os CDs de Jackson do Pandeiro e Renato Russo!