Zé Ramalho o poeta dos abismos
Henri Koliver - Alto Paraíso de Goiás
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Árdua é a tarefa abissal: tentar traduzir, através de palavras – limitadas por sua própria natureza – realidades inefáveis, dinâmicas, fluídas. Vivências profundas, íntimas, pessoais, que encerram ao mesmo tempo um caráter coletivo e universal. Quão facilmente estes universos podem ser corrompidos diante da tentativa de exprimi-los. Os caminhos da lógica formal não se mostram adequados, devido à sua linearidade e suas restrições conceituais. Somente a linguagem metafórica e simbólica pode ser utilizada apropriadamente para sugerir a essência das realidades profundas, carregadas de conteúdos emocionais e arquetipais extremamente dinâmicos.

Eis o que distingue o trabalho de Zé Ramalho: a capacidade de retratar a pluridimensionalidade das profundas realidades do ser, sem comprometê-las, preservando sua integridade. Sua poesia nos conduz em uma viagem interior, em direção a camadas cada vez mais profundas da psique. Este mergulho nas zonas abissais acaba nos levando a extratos mentais anteriores à lógica e à razão, reduto de imagens arquetipais primordiais, imagens estas que ele traduz através de símbolos multifacetados, com diferentes níveis de significação.

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